Nunca vi muita coisa se enquadrar nessa minha cidade, ou vai ver a minha vida não se enquadra direito às coisas que vejo. Sempre vejo pessoas nas calçadas conversando animadamente até sei lá que horas da noite, sempre vejo crianças jogando bola ou soltando pipas em dias de sol, sempre vejo gente correr da chuva ou se abrigar em lugares diversos.
Nunca fui disso.
Não joguei bola ou soltei pipa na rua, meu lance era mesmo video game e televisão, não entendia a graça de ficar correndo atrá de uma bola, levando topadae caindo. Também nunca achei divertido segurar uma corda com um lance voador na outra ponta. Gostava mesmo de jogos, todos os tipos, comecei a jogar RPG com 8 anos. Super Trunfo era um máximo, meu Mega Drive era minha vida e eu encarava a vida como um jogo, sempre fiz isso.
Ainda encaro a vida como um jogo, mas o jogo que jogamos é tão complexo que parece a vida.
Também não converso nas calçadas até sei lá que horas. Parte disso vem da minha infância mesmo, nunca joguei bola nem soltei pipa na rua, então meus amigos estão bem longe do meu bairro, meus verdadeiros amigos moram do outro lado da cidade e eu só consigo falar com eles pelo msn e não dá pra fazer isso na calçada, pelomenos não com segurança.
E principalmente, acima de qualquer outra coisa, não me abrigo da chuva. Encaro as gotas d'água com coragem, não interessa a força delas. Ando na chuva sem medo, sem preocupações, ando livre, solto e relaxado. Passo pelas pessoas abrigadas com honra, com coragem, renego a covardia de me esconder da natureza.
Certamente as pessoas não me encaram como eu me vejo, para elas eu sou algum tipo de retardado que gosta de se molhar e eu nem ligo para o que elas pensam. Não sou melhor nem pior por gostar de andar na chuva... sou apenas eu mesmo o tempo inteiro.
Por onde passo vejo pessoas que não curtiam jogar bola no país do futebol, e mesmo se aventurando raras vezes, tempos depois esquecem-se que tentaram um dia. Por onde eu passo eu vejo pessoas que adoram a gota da chuva batendo no rosto, sentir o cabelo desmanchando enquanto todos os outros estão correndo para se abrigar. Por onde eu passo eu vejo crianças que deixam cada vez mais a rua, a calçada, de conhecer seus vizinhos, para se conectar com pessoas à distância por uma máquina que possui uma tela, um teclado, alguns circuitos e muita atividade que não se vê... É isso um sintoma da modernidade...
ResponderExcluirhaha, poucas vezes eu enfrentei coisas q me deixam triste pra caralho, tipo chuva.
ResponderExcluirE no dia que as nuvens me atacaram da forma mais covarde, eu andei devagar, senti o vento me puxar e os pingos quase me cegando e embassando tudo ao meu lado , e eu escorregando na lama e com a impressão de que tudo tava desabando e que os morros, barrancos e encostas iam me engolir terra e água a baixo, ou então eu ia boiar até sumir e ninguém encontraria meu corpo, e ainda tinha a porra do meu caderno dentro da bolsa q eu ñ conseguia parar de pensar..mas mesmo assim eu fui uma mocinha forte(=p),ignorei qualquer lugar seguro, e caramba, como eu fui feliz cara.. hahahaha, muito feliz encharcada!
Eu acho que as vezes, por não saber se deve, a gente finge não saber o que quer.
Faz todo sentido vc não ser todo mundo. Enfrentar chuva é pra poucos =p
Beijos óh mente brilhante, haha (juro q não é ironia!)
confesso q quase sempre eu me escondo da chuva pra não chegar molhada nos lugares aonde estou indo, mas quando posso eu me molho mesmo e fico super orgulhosa qdo sigo meu caminho, mesmo na chuva, quando várias pessoas estão perdendo tempo e prazer, escondidas. =) adorei o texto!
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